Volta às origens. É o que tenho ouvido quando o assunto é
o novo disco dos Titãs, “Nheengatu”. Depois do fraco álbum “Sacos Plásticos” e
da bem sucedida turnê comemorativa dos 30 anos de carreira e dos 26 anos do
clássico “Cabeça Dinossauro”, eu não diria que é uma volta às origens, mas, uma
volta aos tempos de glória, visto que, em suas origens, os Titãs não eram tão
pesados, nem tão ácidos em suas críticas político-sociais. Um álbum que pode
ser definido como uma mistura de “Cabeça Dinossauro” com “Tudo ao Mesmo Tempo
Agora”, sujo, agressivo e, mesmo com toda nossa realidade apontar para
manifestações públicas contra o governo estabelecido, é um disco datado, porém,
ironicamente, atual. E, mesmo afirmando ser um álbum datado, não significa
dizer ruim, pois não é.
Se em 1986 eles diziam que “polícia é para quem precisa
de polícia”, agora dizem que a polícia é apenas mais uma parte do povo
explorado, com versos como “por que você não abaixa essa arma / o meu direito é
seu dever / por que você não usa essa farda / para servir e para proteger...
você também é explorado / fardado”. O grito de revolta de “Nheengatu” atira em
outros alvos, como a pobreza, a pedofilia e a homofobia.
Segundo diz textos de divulgação do álbum, “Nheengatu” é
centrado em falta de comunicação, ou problemas com ela. O termo que dá nome ao disco
significa ‘língua geral’ e tem como origem um idioma criado pelos jesuítas para
facilitar a comunicação entre os povos indígenas no Brasil colônia. E, a imagem
da capa, é, apropriadamente, uma representação da Torre de Babel.
Entre altos e baixos, como a totalmente dispensável faixa
“Fala, Renata”, temos um bom disco dos Titãs. Podem questionar se, nessa altura
do campeonato, seria necessário mais um disco deles, mas, quando se começa a
ouvir as coisas produzidas no rock brasileiro de hoje em dia, tem-se a noção
que é muito melhor termos os Titãs se repetindo, do que qualquer porcaria nova
sem conteúdo, sem tesão, sem qualidade.